I Capitulo:
- 5 de Dezembro de 2008. No corte das amarras a guitarra clássica do músico Marco Muralhas não chorou a partida. Em vez disso cantou o cantar dos gentios rudos marinheiros... que em mar chão se foram deixando embalar por aquela noite dentro.
II Capitulo:
- No lusco fusco da matina ouve-se e vê-se o agitar peculiar de cada um dos 3 homens/3 pintores. Naturalmente estão atentos (curiosos ?) com o que se passa.
(continua)
RA
Aos que zarparam connosco esta noite e desejem enriquecer o nosso percurso em conjunto com comentários, críticas ou sugestões, incentivamos vivamente que o façam e agradecemos que os formulem em comentário a este post.
Entretanto, e para aqueles que não puderam comparecer no cais, ficam aqui algumas imagens na esperança de que ainda se juntem a nós antes do dia 15 de Fevereiro 09.
Obrigado pelo vosso apoio
[ RA - jfx - FV ]
Vista Geral | Rui Aço: Finisterra - com peça de Freitas Cruz no chão
Detalhe | Rui Aço: Os Seios de Tétis
Detalhe | ... barcas a dançar
Vista Geral | Fernando Vidal: a 'Água' e a 'Barca dos Amantes'
Fernando Vidal | 'Barca dos Amantes'
Vista Geral | Freitas Cruz: 3 momentos de uma barca
Detalhe | Freitas Cruz
música: samples | loops: holger czukay, peter gabriel
Na partida o desejo e a dor, desejo impaciente de tudo o que ainda esteja por conhecer, dor de perder o que se conhece. Na travessia, as dúvidas e as incógnitas que se erguem como o adamastor: nem sempre a barca navega num Mar de Rosas. E no regresso? No regresso sobretudo o receio e o desacerto: por quanto tempo conseguirei permanecer esse homem novo que vim a conhecer durante a travessia sem cair no adormecimento e na vontade de reavivar o outro que conhecia e já me assentava que nem uma luva mas deixou de me servir... e quantos compreenderão que eu assim queira permanecer, outro, sempre outro diferente? [jfx]
Nunca a Barca foi tão importante como agora!
Refiro-me áquela em que navego todos os dias, de fio a pavio, na companha de muitos, atentos e dedicados labutadores, onde se cruzam fainas de camaradagem, cumplicidade, tolerância, entusiasmo e muitos sonhos e muitas esperanças nos Rumos Novos. Para trás estão águas passadas onde aprendizes e mestres sábiamente trocaram saberes, fazendo das fraquezas, forças de braços e abraços solidários com o Homem do leme que habita cada um de nós.
Perante a diferença, a mudança para novos rumos há sempre alguns ue se enfadam incomodados e incomodando, sabe-se lá poquê... Foi sempre assim. A vida tem-me ensinado a descuidar-me deles. Ignorando-os É isso que faço. Passo ao largo e sigo em frente.
Nesta barca que navego chegaremos a bom porto. Assim o queremos!
Depis, já em terra firme. Então sim! Outros rumos surgirão e que cada um siga o seu.
Rui Aço.
Até ao Verão ainda acreditei que seriamos capazes de tirar esta barca do lamaçal e pô-la a navegar. Cada um de nós remava para o seu canto mas a viagem ainda parecia comum – a falta de unidade podia até ser um factor acrescido de interesse, uma mais-valia como se costuma dizer hoje. Não se pretendia fazer uma exposição[zeca] com os quadrinhos todos bonitinhos uns ao lado dos outros, bem referenciados [ o seu a seu dono e trá-lá-lá...], mas sim algo que fosse para além da mera presença individual de cada um dos artistas e que, destacando-se pela diferença em relação às abordagens habituais, não deixaria no entanto de revelar o contributo de cada um deles.
Infelizmente quer me parecer que não é apenas unidade que falta mas sim união. Ao trabalhar todo o material vídeo e sonoro que recolhi desde o início do ano e que pretendíamos viesse a ser um dos elementos catalisadores [juntamente com um texto que entretanto deixou de haver] não consigo pressentir essa união. Encontro momentos díspares, dinâmicas e entusiasmos dissemelhantes e sinto que de facto, neste projecto que nos poderia ter levado tão longe arriscamo-nos a não chegar a lado nenhum.
Outras prioridades, atrapalhações e dificuldades, muitas delas alheias ao trabalho do pintor/artista acabaram por interferir neste processo e conferir-lhe um peso quase insuportável. No post anterior perguntava-me a mim mesmo se valeria a pena o esforço. E volto a frisar o que disse porque não creio que tenha surtido efeito à primeira: num lugar onde aparentemente haveria mais hipóteses de criar um projecto bem sucedido acabamos por esbarrar em mesquinhices e criar ainda mais entraves e hesitações do que aqueles com que me confrontei no Brunei onde imperava uma mentalidade malaio-islamica determinada em afundar todo e qualquer projecto que incomodasse o statu quo.
Deus terá dado a noz a quem não tem dentes?
Talvez, para poupar esforços e o que quer que se possa salvaguardar mais, o melhor seja assumir o que fizeram já os meus companheiros de viagem: remar para o meu canto.
Dádiva do Tejo, rainha dos Oceanos. Desde tempos sem conto que é ponto de partida e ponto de chegada. Cidade de gente vária, marcada pelos gentios, almas perdidas pela ganância, pelos saques e massacres... Lisboa das mil partidas, das estórias de sereias, de monstros e de fim do Mundo. E dos sonhos devaneios e esperanças sem fim... Esta Cidade qual femea garbosa fascina-me e ilude-me no meu velejar.Voluptuosa no seu garboso derrengue. Deliciosamente... desejo-a! [RA]
Em Abril 2005, após quatro anos de trabalho persistente e subtis diplomacias, 14 artistas residentes no Sultanato do Brunei juntaram-se para trabalhar num projecto comum. O tema que reuniu o consenso de todas as partes – quebrando finalmente o gelo e atraindo a participação de 9 artistas do sultanato – foi justamente uma barca.
O projecto [x?]artists–one boat visava explorar o significado que cada artista atribuía à nave propriamente dita, para além das suas formas e funções conhecidas, procurando chegar mais próximo da essência do que seja uma barca.
No início, este [x?] era apenas uma variável em função do número de artistas que, vencendo os preconceitos e os temores prevalecentes e bem reais, aceitariam dar a cara e comparecer na galeria correndo o risco de violar as leis e os costumes vigentes. Foi só quando todos estávamos a bordo, e a barca a navegar, que vim a descobrir o seguinte poema de Octávio Paz que transcrevo em parte:
‘...Caminhamos por onde nunca andámos, no ponto de encontro disto e daquilo, aqui e agora. Somos a intersecção, o X, o moinho maravilhoso que nos multiplica e que nos questiona. O moinho que ao girar descreve um Zero: ideograma do Mundo e de cada um de nós...’
A censura compareceu, bem se esforçou por encontrar qualquer coisa... e acabou por nos deixar seguir viagem. Foi para todos – artistas e público - um momento de suprema alegria: numa Monarquia Absoluta Islâmica, onde a religião e a política andam de mãos dadas e onde à partida tudo parecia impensável, Budistas, Cristãos, Hindus e Muçulmanos ‘falaram’ entre si através das suas visões de uma barca.
Ficará sempre a pergunta no ar: será que vale a pena?
É inegável que existem ainda muitos lugares onde a liberdade de expressão, a liberdade de escolha e outros direitos considerados fundamentais têm ainda que ser conquistados. Mas a que custo e em detrimento de que outras prioridades e valores? Tendo vivido nalguns desses lugares, a questão que me coloco sempre enquanto artista é a seguinte: dentro de que parâmetros posso trabalhar sem violentar susceptibilidades ou violar as leis, e se valerá a pena tal esforço?
A imposição de valores promovida pelo Ocidente de forma agressiva, suscitando reivindicações muitas vezes desadequadas às reais necessidades da diversidade humana, afigura-se-me cada vez mais arrogante. Os resultados da ‘nossa’ postura estão à vista. Enquanto artista recuso-me a ser um fundamentalista dos valores [e das estéticas] Ocidentais. Pergunto-me: será hipocrisia trabalhar dentro dos parâmetros permitidos pelas leis e costumes vigentes noutros lugares? É possível encontrar consensos que permitam à arte operar a mudança de uma forma que não seja desadequada às necessidades locais? Valerá a pena o esforço ou vale mais a pena baixar os braços perante as dificuldades impostas?
E aqui, onde toda a liberdade do mundo nos é concedida? Fará sentido revisitar a barca? Valerá a pena? [jfx]
3 HOMENS NUMA BARCA (instalação dos pintores, Fernando Vidal, Freitas Cruz e Rui Aço a inaugurar a 6 de Dezembro de 2008 no Centro Cultural de Cascais).
Introdução:
Com este titulo os três artistas abordam e revelam em espaço comum as suas experiências diversas e conceitos estéticos (pelo desenho, pela pintura e também pelos objectos e pelo video) onde a liberdade individual, a independência intelectual e a cumplicidade confluem, intuindo assim que a Humanidade chegará a bom porto quanto mais o homem conseguir realizar na diversidade. São três histórias numa só. Neste lugar apresentam-se três homens. Três gentios cientes que chegarão a bom porto.
Na Barca sou gentio. Na imensidão de Tétis... Navego na Barca de gentios de rudos marinheiros. A dos mares nunca dantes navegados. Na Carta Portulana desenho com traços de desejos. Desenho sítios, passagens, lugares de partida e de chegada. Desenho as metáforas passo a passo. Na temerosa figura feia que povoa o homem situo os medos que trago na alma. Mas não desisto. Acocorados, dormentes, acotovelam-se os gentios na labuta. Sem rosto, com lágrimas de sal. Eu, como posso, perduro. Por mais que queira dos outros não sei. Só sei que estão lá. Pelo caminho muitos vão descendo lentamente ao sabor ondulante de Tétis até se confundirem com a restinga, povoando-a mas não muito. São sinal de passagem no caminho longo que nos levará (?) para além...
Em Terra firme, o bom porto, ao longo de um fraterno abraço contaremos três histórias. [RA]
1.ª - De uma coisa tenho a certeza, a barca que me habita não é a de Caronte. A barca do meu navegar é talhada no ventre de Tétis e é nela que quero chegar a bom porto tendo as Tágides por companhia. 2.ª - Nós os "rudos marinheiros" de gentios não passamos, a cada passo confundimos a restinga com demónios e da "grandeza feia - tão temerosa e carregada" desconfiamos e temos medo. No entanto não desistimos. Nós os três somos bolina e remos, somos barca e navegamos na imensidão de Tétis e ao bom porto a que cada um pertence, chegaremos. Então sim unindo esforços dobraremos o outro Cabo!
Desenhos que são parte da Carta Portulana ondevou traçando os caminhos do meu desejo:
Segue neste momento a caminho da Austrália uma barca.
Há coisa de quinze dias quis a coincidência que uma galeria em Melbourne nos comunicasse a intenção de promover uma exposição subordinada ao tema Barca de Esperança/Barca de Loucos – Um Só Mundo. Caso estivessemos interessados enviar-nos-iam uma maquete que deveríamos construir e trabalhar sem quaisquer limitações.
Para além das conversas que já tínhamos tido para acertarmos as primeiras ideias em torno da nossa própria barca, o trabalho que o Rui, o Fernando e eu realizámos sobre a maquete ajudou a dar um empurrão suplementar. Ainda que não saibamos ainda qual o teor ou o aspecto final da exposição no Centro Cultural de Cascais, muitas ideias tomaram raiz durante o interlúdio jocoso que o trabalho em torno deste projecto proporcionou. E se é certo que no plano formal nada aproxime estes dois projectos, no plano filosófico não andarão muito distantes um do outro, e por essa razão parece-me oportuno deixar aqui registado parte do texto que a galeria Australiana nos facultou:
A Barca dos Loucos
A Barca dos Loucos representa a humanidade no seu todo navegando através dos mares do Tempo.
Um navio, uma pequena embarcação, uma barca perdida.
Para nosso grande infortúnio, todos somos loucos:
Vivemos exclusivamente para o Aqui e Agora e consumimos de forma irracional; somos perdulários, deitamos tudo abaixo, queimamos a terra e plantamos colheitas sedentas de água num clima que se torna cada vez mais tórrido, na crença de que o poderemos fazer para sempre.
Entretanto a nossa barca anda por aí à deriva sem nunca conhecer o rumo, nunca encontrando o cais.
Enquanto artistas estamos cientes da responsabilidade que temos, de alertar o público para questões como o aquecimento global, as suas causas e efeitos, e de lançar a todos o desafio de ver as coisas de outra maneira, quanto mais não seja no breve instante de contacto visual com a nossa obra, e de suscitar as perguntas: Qual a nossa posição no mundo? De que modo o afectamos? O que é que podemos fazer?
Talvez seja uma aspiração excessivamente ambiciosa, mas acreditamos que os tempos de uma Arte que se referencia a si própria e que explora apenas a Forma sem grande conteúdo ideológico é coisa do passado. O tempo urge e são os artistas que devem tomar o comando na procura de atingir novos públicos e questionar de forma pertinente o modo como vivemos. Os artistas têm que estar informados para poderem informar. A corrente só mudará quando todos remarem numa direcção comum – nessa altura governos, grandes empresas e o público tomarão consciência do quanto a situação é urgente e, com alguma sorte, a nossa barca talvez chegue a bom porto.
Quer o faça de modo subtil, quer o faça com mão pesada e espalhafato não temos dúvidas de que uma das armas mais eficazes para abordar certas questões está nas mãos do artista. Todos vivemos cada vez mais entorpecidos pelos media – especados diante do televisor sem capacidade para discernirmos a notícia que ora escutamos daquela que a antecedeu. Somos exímios nas artes do ‘Streaming’, do ‘Podcast’, do ‘Download’, perfeitamente capazes de surfar, escutar e ler opiniões favoráveis e divergentes sobre tudo e mais alguma coisa – mas não será tudo isto um pouco de mais? Não estaremos a atingir rapidamente o ponto de saturação?
Temos que procurar novas vias para educar.
Enquanto artistas temos que assumir a responsabilidade e aliarmo-nos a outros na tarefa de inverter a força e a direcção desta corrente. A Arte tem o seu papel a desempenhar. [tradução/adaptação jfx]
São ideias a ponderar e que certamente nos afectarão de uma maneira ou de outra no que respeita ao nosso percurso em conjunto. Se encontrarão ou não expressão plástica no projecto 3 homens numa barca será outra questão.
Entretanto, a brincar a brincar, chegámos a ‘Uma Barca de Esperança Num Mar de Loucos que ficará exposta juntamente com o trabalho de outros 33 artistas de 14 países no Yarra Sculpture Gallery em Melbourne de 18 de Junho a 6 de Julho, e que acompanhará em seguida a exposição individual de Julie Collins e Derek John no The Ballarat Mining Exchange, Ballarat, Australia entre 2 e 10 de Agosto de 2008. [jfx]
Para ver todas as barcas desta exposição siga o seguinte Link:
Quando o Fernando nos deu a notícia de que tínhamos recebido indicação favorável da Fundação D. Luís no sentido de virmos a ter uma exposição em conjunto enquanto artistas residentes da Oficina do Desenho no Centro Cultural de Cascais, confesso que no meu entusiasmo talvez me tenha precipitado e atropelado de algum modo as sensibilidades dos meus companheiros de oficina ao sugerir que se revisitasse um tema que me é particularmente querido e sobre o qual Rui Aço e eu próprio nos havíamos já debruçado em 1999. O tema da Barca. Tal iniciativa caberia por direito ao mentor do projecto OD, Rui Aço, ou a Fernando Vidal, há mais tempo a seu lado do que eu e portador da boa nova; e a mim de lhes seguir os passos. Se o fiz foi apenas com o intuito de lançar para o ar um tópico para discussão, jamais por imposição, recordo-me ainda de como o Fernando, não sem razão, ficou mais silencioso ao sentir o entusiasmo do Rui aliar-se ao meu e que o assunto ficara arrumado sem verdadeiro debate a três. Foi bom sentir, e ler agora nos primeiros textos colocados pelo Fernando que a rejeição e o silêncio deram lugar à reflexão e a aceitar o desafio.
No ar ficara de facto esta primeira ideia: a barca revisitada. Revisitada porque em 99 lançara o desafio a 10 artistas para a mesma temática numa pequena, pouco conhecida e entretanto desaparecida, galeria de Cascais, a galeria Castelo Maior, e que foi o ponto alto de um breve périplo enquanto director artístico antes de partir para Berlim. Acima de tudo o sucesso da exposição ‘10 artistas/uma barca’ deveu-se à dinâmica e ao entusiasmo que os próprios artistas incutiram ao projecto - aliás o espírito que se vivia era o espírito de convívio e de tertúlia entre artistas, músicos e demais intelectuais que por lá passavam.
Mas se o passado não deve ser revisitado nada nos impede de reconsiderar a barca – a 'nave' na qual nos encontramos neste momento e que nos transporta temporariamente aos três enquanto não embarcarmos, individualmente ou em conjunto, nas seguintes. Enquanto artistas residentes do projecto OD trilhamos um percurso que é simultaneamente individual e comum - todos remamos aparentemente a ritmos e em direcções diferentes mas o certo é que no final desse esforço a nave, inevitavelmente, quer o queiramos quer não, nos conduzirá a um porto comum. A meu ver é isso que torna esta nova aventura tão interessante. [jfx]
E eu ia trabalhar a ‘Água’ como elemento da Natureza.
Mas com que barca iria eu navegar nas minhas Águas?
Barca mesmo (para além da Barca da Amieira do Tejo/Nisa) só me vinha à memória a ‘Barca dos Amantes’ do poeta cantor Sérgio Godinho.
Fiquei a digerir a questão. Quantos mais dias passavam, mais se tornava claro para mim que seria ‘A Barca dos Amantes’. Como resolver o assunto. Autorizar-me-iam a utilizar o poema na minha obra? Questionei a S. P. A. de que sou sócio. Só com autorização do autor. Contactei-o.
E não é que de uma forma extremamente simpática Sérgio Godinho responde - “claro que a autorização está mais que dada. As canções, como as barcas, são para ser levadas a novos portos por quem as sabe navegar. E estou muito curioso de ver os resultados, depois da “ amostra virtual” do seu trabalho.”
Agora a responsabilidade é a dobrar. É a Água e é a ‘Barca dos Amantes’. [FV]
Quando no final do ano passado, a Fundação D. Luís I me telefonou confirmando a Exposição no Centro Cultural de Cascais, a primeira questão que coloquei, foi que trabalhos iria apresentar?
A segunda foi quando os meus dois companheiros de Oficina sugeriram que o tema fosse comum a todos e propuseram ’A Barca’ ou ‘A Barca Revisitada’, dado que eles anos atrás tinham tido uma exposição sobre este tema…
Assim de repente o meu pensamento foi de rejeição imediata à temática. Mas que é que eu tinha a ver com Barcas? O que é que a minha pintura (ou o que me apetece pintar) tem a ver? Nada!
Dei um tempo a mim próprio para reflectir sobre o assunto, antes de dar a resposta. E com o passar dos dias foi-se desenhando na minha imaginação a obra a realizar.
Estava há três anos a trabalhar a temática do Fogo (Imaginação da Matéria) e culminava na Galeria Municipal de Sintra um périplo de dez exposições que tinha feito no Alto Alentejo, no ano de 2007. Que melhor que a ‘água’ para apagar o ‘fogo’ que me consumia há tanto tempo?
Água que permite á ‘Barca’ navegar. Águas claras e cristalinas? Águas escuras e tenebrosas? Águas paradas ou em convulsão? Era a altura de mudar de elemento da natureza. Era a altura de aceitar o desafio e navegar com os meus companheiros nesta ‘aventura’ de uma Exposição dos artistas residentes da [OD] no Centro Cultural de Cascais, sobre o tema genérico ‘A Barca’. [FV]
... Que se vai deitar ao Mar... A poesia o disse e diz que hoje e sempre a barca será deitada ao Mar, basta que o Homem precise de partir, fugir sem olhar o que deixa, pois para lá do Mar existe a Esperança que alimenta a alma. O novo Destino... do Homem do leme.
Rui Aço, Fernando Vidal e Freitas Cruz, pintores residentes da [OD] - Oficina do Desenho, em Cascais, escolheram uma barca como tema para um projecto em conjunto que se realizará no Centro Cultural de Cascais em Dezembro de 2008. A barca é ponto de partida apenas, uma vez que aquilo que se pretende é que no momento da exposição não se aviste qualquer barca - antes sim, o espaço adjudicado para a exposição será a barca; uma nave ou um veículo que transporte consigo o espectador a descobrir novas paragens. No blog ‘3 homens numa barca’ Rui Aço, Fernando Vidal e Freitas Cruz irão descrever passo a passo o desenrolar dos seus processos criativos individuais, trocar opiniões entre si, partilhar imagens e debater soluções que possam conduzir a barca a bom porto.