Domingo, 6 de Julho de 2008

Quantas vezes revisitada? Quantas vezes renovada?

 

 

 
 
 
 
Em Abril 2005, após quatro anos de trabalho persistente e subtis diplomacias,  14 artistas residentes no Sultanato do Brunei juntaram-se para trabalhar num projecto comum. O tema que reuniu o consenso de todas as partes – quebrando finalmente o gelo e atraindo a participação de 9 artistas do sultanato – foi justamente uma barca.
 
O projecto [x?]artists–one boat visava explorar o significado que cada artista atribuía à nave propriamente dita, para além das suas formas e funções conhecidas, procurando chegar mais próximo da essência do que seja uma barca.
 
No início, este [x?] era apenas uma variável em função do número de artistas que, vencendo os preconceitos e os temores prevalecentes e bem reais, aceitariam dar a cara e comparecer na galeria correndo o risco de violar as leis e os costumes vigentes. Foi só quando todos estávamos a bordo, e a barca a navegar, que vim a descobrir o seguinte poema de Octávio Paz que transcrevo em parte:
 
‘...Caminhamos por onde nunca andámos, no ponto de encontro disto e daquilo, aqui e agora. Somos a intersecção, o X, o moinho maravilhoso que nos multiplica e que nos questiona. O moinho que ao girar descreve um Zero: ideograma do Mundo e de cada um de nós...
 
A censura compareceu, bem se esforçou por encontrar qualquer coisa... e acabou por nos deixar seguir viagem. Foi para todos – artistas e público - um momento de suprema alegria: numa Monarquia Absoluta Islâmica, onde a religião e a política andam de mãos dadas e onde à partida tudo parecia impensável, Budistas, Cristãos, Hindus e Muçulmanos ‘falaram’ entre si através das suas visões de uma barca.
 
Ficará sempre a pergunta no ar: será que vale a pena?
 
É inegável que existem ainda muitos lugares onde a liberdade de expressão, a liberdade de escolha e outros direitos considerados fundamentais têm ainda que ser conquistados. Mas a que custo e em detrimento de que outras prioridades e valores? Tendo vivido nalguns desses lugares, a questão que me coloco sempre enquanto artista é a seguinte: dentro de que parâmetros posso trabalhar sem violentar susceptibilidades ou violar as leis, e se valerá a pena tal esforço?
 
A imposição de valores promovida pelo Ocidente de forma agressiva, suscitando reivindicações muitas vezes desadequadas às reais necessidades da diversidade humana, afigura-se-me cada vez mais arrogante. Os resultados da ‘nossa’ postura estão à vista. Enquanto artista recuso-me a ser um fundamentalista dos valores [e das estéticas] Ocidentais. Pergunto-me: será hipocrisia trabalhar dentro dos parâmetros permitidos pelas leis e costumes vigentes noutros lugares? É possível encontrar consensos que permitam à arte operar a mudança de uma forma que não seja desadequada às necessidades locais? Valerá a pena o esforço ou vale mais a pena baixar os braços perante as dificuldades impostas?
 

E aqui, onde toda a liberdade do mundo nos é concedida? Fará sentido revisitar a barca? Valerá a pena?  [jfx]

artistas residentes [OD]:
[OD] às 19:19
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Sexta-feira, 4 de Julho de 2008

Documento Oficial

Texto apresentado ao Centro Cultural de Cascais

 

3 HOMENS NUMA BARCA (instalação dos pintores, Fernando Vidal, Freitas Cruz e Rui Aço a inaugurar a 6 de Dezembro de 2008 no Centro Cultural de Cascais).

 

Introdução:

Com este titulo os três artistas abordam e revelam em espaço comum as suas experiências diversas e conceitos estéticos (pelo desenho, pela pintura e também pelos objectos e pelo video) onde a liberdade individual, a independência intelectual e a cumplicidade confluem, intuindo assim que a Humanidade chegará a bom porto quanto mais o homem conseguir realizar na diversidade. São três histórias numa só. Neste lugar apresentam-se três homens. Três gentios cientes que chegarão a bom porto.

 

Na Barca sou gentio. Na imensidão de Tétis... Navego na Barca de gentios de rudos marinheiros. A dos mares nunca dantes navegados. Na Carta Portulana desenho com traços de desejos. Desenho sítios, passagens, lugares de partida e de chegada. Desenho as metáforas passo a passo. Na temerosa figura feia que povoa o homem situo os medos que trago na alma. Mas não desisto.  Acocorados, dormentes, acotovelam-se os gentios na labuta. Sem rosto, com lágrimas de sal.  Eu, como posso, perduro.  Por mais que queira dos outros não sei.  Só sei que estão lá.  Pelo caminho muitos vão descendo lentamente ao sabor ondulante de Tétis até se confundirem com a restinga, povoando-a mas não muito. São sinal de passagem no caminho longo que nos levará (?) para além...

 

Em Terra firme, o bom porto, ao longo de um fraterno abraço contaremos três histórias. [RA]

artistas residentes [OD]:
[OD] às 01:52
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